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MANHÃS À DERIVA

Autor(a): Oly Cesar Wolf

Uma brisa venta como vento
comovente
aventando
frescura
e cura
para o mofo da sala selada com cadeados
de medo.

É cedo, meu bem, é cedo, é dia lá fora
agora
neste mundo que antes não era.

Jã não é amanhã, é hoje a manhã verde
como as hastes das plantas jovens
e como teus olhos vitrines da primavera.

Esqueçamos o inverno
o inferno
O tempo roubado que não volta.

Há tempos maiores e melhores pendendo
dos
galhos
respira fundo, acaricia os teus pulmões
e deixa as covas de lado, sem esquecê-las.

Arranca do rosto a máscara triste e veste o
alegre riso dos teus dentes
e ria comoventes risos
enquanto o vento nos leva
na
contra
corrente
da tristeza.

Toma do remo leve, e rema, que a vida
é barco ligeiro e cheio e farto
que a vida é um barco prenhe nos dando ao parto
no berço de um porto seguro.

Apanha do remo e rema
que remar é reza
que remar é ramo
no bico da ave que traz notícias de chão firme.

Estende teu dedo, amada minha, e veste sobre teu corpo
este véu de aliança
amante amada
aliada minha: eu
você
e a vida
três pontos de apoio
que sustentam o mundo, porque o mundo é grande
e a vida é barco
de largo caminho e espera.

Olha! Esqueçamos os dias perdidos,
veja o vento inflando a vela!
Já não sangramos, mas singramos na direção do horizonte
que trazemos aqui por dentro, porque se a vida é barco,
o amanhã é vento.

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