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A Banda Municipal Carlos Gomes comemora neste sábado (20) 55 anos de existência. Ela surgiu quando o município completava 107 anos de emancipação político-administrativa, em 20 de abril de 1964. Desde então, sempre participava das comemorações cívicas, cantando os ‘Parabéns’.

Mas a história da banda teve muitos atropelos até se firmar como a número 1 do município e quem conta essa história é Davi de Oliveira, presidente da Samba (Sociedade Amigos da Banda Municipal de Caraguatatuba).

Inicialmente, ela foi fundada em meados de dezembro de 1952, na gestão do então prefeito Antonio Augusto Matheus com o nome de Banda Municipal de Caraguatatuba. “Um grupo de músicos abnegados que aqui residiam sob a liderança do maestro Joaquim Braga Filho (Braguinha) conseguiu com muito esforço e boa vontade manter em atividade a Banda até meados de 1956, quando o então prefeito Altamir Tibiriça Pimenta, alegando gastos excessivos para a época, achou por bem paralisar essas atividades”.

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Nesta época, participavam da Banda os músicos Joaquim Braga Filho, João Moura, Ivan de Souza, Luiz Gonzaga, Pedrinho, Zé Pinto, Jaú, Carecino, Dito Mineiro, Antonio Mineiro e outros.

Após 18 anos de paralisação, a Banda Municipal ressurgiu no dia 20 de Abril de 1964, agora sob a regência do maestro Pedro Alves de Souza (Pedrinho). “Na aurora daquele dia, às 6h, no morro da Santa Cruz (destruído pela catástrofe de 1967), a Banda Municipal entoou os seus belos acordes na canção “Parabéns pra você”, homenageando o aniversário de Caraguatatuba”.

Na ocasião, participaram os músicos Pedro Alves de Souza, Zé Pinto, João Carlos, Francisco Pinto, Paulinho, Maneco, Bicho Branco, João Moura, Luiz Gonzaga, Jaime, Cirillo, Gasparzinho, Alexandre, Canhoto, Décio e outros.

Nesse momento, conforme a história, o então prefeito Geraldo Nogueira da Silva (Boneca) achou por bem documentar o ressurgimento da Banda Municipal pelo Decreto Lei 558/64, anexo 01. A partir daí ela ganhou o nome de Banda Municipal “Carlos Gomes” de Caraguatatuba, tendo como diretores principais seu Arinos (presidente) e o seu Edmur de Souza (vice-presidente).

“O maestro Pedrinho e seus músicos levaram adiante e mantiveram a Banda Carlos Gomes em constante atividade, criando a ‘Retreta’ (apresentações, concerto popular de uma banda ao público) aos sábados na Praça do Coreto, cuja atividade se mantém até os dias de hoje”, conta Oliveira.

Ela ainda participou de inúmeras inaugurações como Ginásio de Esportes, Cozinha Piloto, Câmara Municipal, Terminal Rodoviário e de todas as festividades cívicas da cidade por aproximadamente 25 anos.

Davi de Oliveira conta que o maior problema enfrentado nesta fase era manter número suficiente de músicos para as suas apresentações, chegando a se apresentar com apenas 11 componentes e tendo dificuldades até na aquisição de uniformes. “Mesmo assim ela se destacava por onde quer que se apresentasse”.

Com o falecimento do maestro Pedrinho em 8 de março de 1992 e a cassação dos direitos políticos do então prefeito Dr. José Bourabeby, a Carlos Gomes sofreu o que chama de um duro golpe, pois perdia seu líder musical e também seu maior incentivador na figura do administrador público da época.

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Mas diferente da ocasião anterior, ao assumir o cargo, o novo prefeito José Dias Paes teve como uma de suas primeiras medidas nomear outro maestro, assumindo o regente Álvaro Luiz Boaventura Ferraz que acumulou o cargo de regente e professor da Escola de Formação de Músicos.

Ele manteve as apresentações da “Carlos Gomes” e ampliou seu campo de atividades levando os músicos para apresentações fora do estado (Caxambu, Rio Pomba, Araxá, Itanhandu, Extrema, Sapucai Mirim, entre outras cidades).

Ferraz também criou junto com seu filho Ricardo Ferraz, atual coordenador de música da Fundacc – Fundação Cultural e Educacional de Caraguatatuba – e Vera Peixoto a escola de formação de músicos para a Banda e Fanfarra, que teve início na gestão do prefeito José Sidnei Trombini que organizou e criou a fundação tendo como seu 1º presidente o Dr. Pedro Norberto.

A partir da formação da primeira turma de músicos, a Banda Municipal Carlos Gomes aumentou seu contingente de integrantes com a redução da idade mínima para ingresso e passou a contar com músicos de ambos os sexos.

“Para melhor organização da corporação foi criado estatuto próprio e a Samba, entidade sem fins lucrativos, para administrar e canalizar os recursos para a sua manutenção”. Hoje ela conta com sede própria desde 2008, à rua Frei Pacífico Vagner, em edifício adquirido pelo prefeito José Pereira Aguilar

A banda é mantida por doações dos músicos e por meio de termo de colaboração celebrado com a Fundacc, na pessoa da presidente Silmara Mattiazzo, recebe recursos que viabilizam a manutenção da Banda, bem como a manutenção da Escola de Música que passou a ser chamada de Conservatório Musical José de Barros Pinto.

Ele é coordenado pelo atual regente da banda, Evandro Silva que juntamente com os monitores Valdemir Garcia, Angelo Santos, Vinicius Andrade e Seite Miyasato oferece

gratuitamente aos munícipes aulas de Flauta Doce, Clarinete, Trompete, Saxofone, Trombone, Bombardino, Tuba, Flauta Transversal, Bateria e Percussão.

“A Banda Carlos Gomes conta, atualmente, com 29 músicos e muita disposição dos seus componentes em perpetuar a tradição das antigas bandas de Coreto”.