Teatro

A manhã da última quarta-feira (8) esteve repleta de interatividade, informação e dinamismo com duas apresentações da peça ‘Aids: Comigo não Acontece’, do Coletivo Teatral Saturnália, da Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba. Ela foi voltada para os jovens e adolescentes que cumprem medidas socioeducativas na Fundação Casa de Caraguatatuba.

 

Abordando temas como droga, álcool, sexo e gravidez na adolescência, ‘Aids: Comigo não Acontece’ é um retrato da juventude moderna e tem como meta, segundo os atores do coletivo, conscientizar os jovens, causar impacto e trazer reflexão sobre situações  presentes no seu dia a dia.

 

O espetáculo, que já foi apresentado em escolas públicas e municipais da região, sofreu adaptações de roteiro com cortes de cenas e acréscimo de diálogos para essas sessões.

 

Essas mudanças no roteiro foram, inclusive, notadas e aprovadas pelo jovem J.C, 16, de Caraguatatuba, que contou que em 2018 teve a oportunidade de assistir a uma sessão em sua antiga escola.

 

Para ele, “os diálogos estão mais expostos e achei a mudança interessante. A peça é excelente”, concluiu o jovem, que não conseguiu se conter e deu um ‘spoiler’ sobre o enredo para seus colegas antes mesmo do início da performance.

 

Já para F.S., 17, de São José dos Campos, é importante a oportunidade de receber trabalhos como este na Fundação porque é diferente e os tira de suas rotinas. Ele também salientou que, “essa é a realidade que nós temos, então, é bom para refletir. Vou levar a essa lição para sempre comigo”.

 

Interessados pelo o assunto abordado, durante as sessões os jovens mantiveram-se atentos, trocaram olhares e cutucões perante determinadas cenas que mais tarde revelaram fazer parte de suas antigas rotinas.

 

No geral, todos aprovaram a apresentação e disseram que a informação passada durante a encenação os levaria a refletir e pensar nas conseqüências do que poderia acontecer em suas vidas.

 

O convite para a apresentação surgiu por intermédio da professora de português, inglês e artes, Adriana Espanhol. Ela contou que vem trabalhando com os rapazes em um projeto de cinema e artes cênicas e que vários convidados têm contribuído para aulas interativas com os reclusos.

 

“Os meninos buscam aprender e são curiosos”, contou Adriana. A professora também frisou que o trabalho que vem desenvolvendo na Fundação Casa tem cunho educativo com a meta de socializar e reintegrar esses jovens à sociedade.

 

Segundo o coordenador pedagógico da Fundação Casa, Claudio Woidella, são 64 adolescentes, entre 12 e 21 anos, internados na unidade. Destes, 48 são internos e 16 se encontram em situação provisória.

 

Ele também contou sobre a rotina dos jovens, que durante a parte da manhã assistem aulas com professores do Estado e na parte da tarde desenvolvem atividades ligadas a arte e cultura como é o caso da oficina de teatro. Além disso, há a formação profissionalizante na área da informática e alimentar.

 

Após as apresentações, o coletivo abriu uma sessão para perguntas e respostas, onde conversaram com os jovens, compartilharam histórias pessoais, afim de incentivá-los na fase em que se encontram. Para o grupo, “o futuro está aí e se nós nos esforçamos podemos conseguir”.

 

No fim da apresentação os internos agradeceram a presença dos convidados distribuindo flores de papel confeccionadas por eles mesmos como um presente de agradecimentos. Eles também demonstraram interesse pelos cursos na área cultural e afirmaram que irão procurar os polos de suas cidades, pois desejam continuar o trabalho previamente desenvolvido junto aos seus professores de artes.