Oficinas Culturais

A comunidade da região norte de Caraguatatuba recebeu na manhã desta sexta-feira (12) o mais novo Centro Cultural da Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba. A nova unidade recebeu o nome ‘João Paulo dos Santos’ em homenagem a um jovem atleta do bairro, falecido em 2015, e tem como meta atender cerca de 300 aprendizes moradores dos bairros Alto do Jetuba, Jardim Santa Rosa (Morro do Chocolate) e Jardim Capricórnio.

Nele, haverá oficinas de balé baby class, balé e dança infantil, dança adulto, dança de salão, violão, teatro e capoeira.

A reinauguração contou com a presença do prefeito Aguilar Junior; da presidente da Fundacc, Silmara Mattiazzo; do presidente da Câmara, Carlinhos da Farmácia; secretários, vereadores, familiares do homenageado, moradores e também do padre Vladimir, pároco da igreja Nossa Senhora da Visitação, na Massaguaçu, e dos pastores Edivaldo e Jair que abençoaram o local e a todos os presentes.

Tomado pela emoção o pai de João Paulo, Francisco Sérgio dos Santos cedeu a palavra para sua esposa, Sandra Aparecida da Silva Santos, que agradeceu a todos e relembrou a história do filho. Ela contou que, “apesar de ter sido tudo muito difícil, eu estou feliz. Meu filho sempre nos deu muita alegria e relembrar e receber essa homenagem em nome dele me deixa contente”.

Para a presidente da Fundacc, Silmara Mattiazzo, a reinauguração foi um momento histórico, pois em menos de uma semana foi o segundo polo cultural inaugurado na região norte da cidade – primeiro foi no último dia 6 no bairro da Olaria.

Ela ainda se solidarizou com os pais de João Paulo ao declarar que, “ele deixou um legado para todos nós de nunca abandonarmos os nossos sonhos independente do momento em que estivermos. Nós temos que acreditar que é possível. Eu acredito que neste espaço, com a tutela dele, as pessoas irão receber alegria através de diversas linguagens culturais”.

A presidente concluiu, “que o objetivo da cultura é levar alegria em primeiro lugar para que o desenvolvimento humano e social possa acontecer e que esse é o papel que a Fundacc fará no bairro”.

Na avaliação do prefeito Aguilar Junior, “só quem é pai sabe o que é perder um filho, mas por outro lado o poder público pode se lembrar das pessoas e está aqui o legado que ele deixou. Quando a gente consegue homenagear uma pessoa ficamos contentes porque foram pessoas que de fato fizeram e viveram a cidade e, por isso, merecerem ser lembrados”.

Com muito carinho e amor foram compartilhadas histórias e lembranças sobre o jovem João Paulo, como a declaração do pastor Jair, que contou que João Paulo era “seu filho negro”, criado com seu filho, e ainda sobre o choque de saber sobre a morte do rapaz e a forma como isso o sensibilizou, “eu chorei muito, todos nós choramos e sentimos falta”.

“Lembro que fomos acampar na praia do Simão e o João Paulo subiu em uma árvore, pulou e nos assustou. Sabe, são lembranças agradáveis e isso vai durar para sempre porque ele pode ter vivido pouco para nós, mas Deus dará a eternidade”, concluiu.

 

Homenageado

 

Ele tinha apenas 17 anos quando partiu. No tempo que lhe foi permitido ficar na terra, o jovem João Paulo dos Santos conquistou a todos com seu carisma, disciplina e técnica.

E pelo muito que fez levando o nome de Caraguatatuba por onde esteve hoje dá nome ao Centro Cultural do Alto do Jetuba, bairro para o qual se mudou com os familiares quando tinha apenas 4 anos.

Filho de Sandra Aparecida da Silva Santos e Francisco Sérgio dos Santos, ele era o terceiro de sete irmãos. Os familiares contam que desde pequeno mostrou entusiasmo pelo futebol. “Muitas vezes levava bronca porque não queria parar nem para almoçar enquanto jogava bola”, relata a mãe.

Em 2005, após participar de uma peneira em Caraguá, foi convidado para treinar no Internacional de Porto Alegre. Um sonho realizado, mas faltava dinheiro para tal empreitada.

O pai, policial militar e sabedor dos sonhos e habilidades do filho, fez o chamado ‘Livro de Ouro’ onde passou por comércios, prefeituras, amigos para conseguir os recursos. A avó paterna foi escalada para acompanhá-lo porque os pais trabalhavam e ainda tinham outras crianças menores.

No Rio Grande do Sul, veio a notícia triste. Ao fazer os exames clínicos foi constatado que o jovem atleta, promessa do futebol, tinha problemas cardíacos e não poderia ficar.

De volta a Caraguatatuba, teve início uma bateria de exames onde foi constatado que tinha miocardiopatia hipertrópica – doença do músculo cardíaco na qual uma porção do músculo do coração está hipertrofiada (mais grosso) sem nenhuma causa óbvia, criando uma deficiência funcional no miocárdio.

No dia 24 de outubro deste mesmo ano passou pelos últimos exames no Instituto Dante Pazzanelli. No mesmo dia retornou para casa onde comemorou o aniversário de uma das irmãs.

No dia seguinte, de volta à rotina, seguia para a escola com a namorada e amigos e, ao subir no ônibus, foi vítima de um infarto que o levou ao óbito.

No pouco tempo que esteve presente, deixou seu legado. Um ano depois recebeu homenagem do então prefeito José Pereira de Aguilar, dando nome à 12ª edição da Copa da Criança. Agora, é eternizado pela Prefeitura e Fundacc no bairro que o recebeu de braços abertos.