Com pinturas, mosaicos e painéis cerâmicos, a mostra centenária de Antonio Carelli tem abertura nesta sexta-feira (3/7), às 19h, no Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (Macc). Com curadoria de Bel Galvanese, Bernadete Silva, Ana Dias, Edson Macedo e Rafael Marotti, integrantes do Núcleo Desenho Vivo, “Carelli – o tom de uma vida inteira” traz um recorte da obra do artista, com seu olhar sensível sobre tucanos e a Mata Atlântica de Caraguatatuba, refletindo o cenário que o acolheu nos últimos 40 anos. Carelli faleceu em fevereiro de 2021.
Obras inéditas
A exposição mostra que ainda há muito a ser descoberto sobre o artista. O público poderá ver obras inéditas de Carelli; dois mosaicos “Pássaros” de 2005 e 2008, e um painel cerâmico produzido em 2008, “Floresta” – 168x200cm, adquirido para acervo do museu. Em suas saídas para pintar paisagens, Carelli comprou dois tucanos de madeira caixeta – também em exposição – produzidos por artesãos da praia de Camburi na cidade de São Sebastião. A partir desses pássaros ele cria, por quase 20 anos, diversas pinturas, painéis cerâmicos e mosaicos, explorando os variados ângulos, cores e tamanhos.
Visitação
Até o dia 19 de setembro, de terça a sábado, das 10h às 18h, o público pode apreciar as obras de Carelli. A entrada é gratuita e a classificação é livre.
Com textos de apresentação de Eloíza Andrade Antunes de Oliveira e Bel Galvanese, e um filme do cineasta Vincent Carelli, filho do homenageado, o público poderá conhecer um pouco mais sobre o artista plástico, ceramista, pintor, desenhista e mestre Antonio Carelli.
Olhares
Bel Galvanese fala sobre Carelli, relação construída com o grupo que ele criou em 1999. “Na (sua) pintura aparece a verdade essencial da paisagem da Mata Atlântica. No entanto, no ‘natural da natureza’ está a potência da visão pessoal de Carelli. Não é possível desviar o olhar. Experiência intraduzível de cor, matéria, luz e calor”, relata a artista.
“Alimentador de filosofias, crítico de seu tempo, conseguiu construir um invólucro de cores que ora se definiam no traço espesso e forte do cinza, do negro, ora coreografavam em cores vibrantes, iluminadas, enchendo os olhos de surpresa e luz”, escreve Eloíza Antunes de Oliveira em seu texto sobre o artista.

Contribuição para arte regional
Antonio Carelli chegou à Caraguatatuba em 1986 e ao lado de Sandra Mendes, sua esposa e também artista, criou o Projeto Arte Litoral Norte, um movimento artístico que incluía a realização de exposições, debates, publicações e vídeos.
Em 1999 participou da criação do ‘Núcleo Desenho Vivo’ no Projeto Arte Litoral Norte. Carelli foi um dos responsáveis pela introdução da arte cerâmica em Caraguatatuba, ao lado de Mieko Ukeseki e Sandra Mendes. Também integrou a equipe de implantação da Rota da Cerâmica, em 2009.
Em parceria com a Fundacc realizou um curso de cerâmica, passando a atuar como colaborador e apoiador da Cultura em Caraguatatuba.
Em homenagem ao seu trabalho e trajetória, Carelli recebeu um lugar especial nas paredes do Teatro Mario Covas, onde está exposta, permanentemente, uma obra de 7m². Também foi homenageado como patrono das Salas de Exposições Temporárias do Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (Macc).
Trajetória
Nascido em 7 julho de 1926, em Mumbuca, distrito de Capivari (SP), Carelli iniciou seus estudos artísticos com Yoshiya Takaoka em 1945, frequentando sessões de modelo vivo na Associação Paulista de Belas Artes e no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.
Na década de 1950 viveu em Paris, onde frequentou a Académie Julian e a Académie de La Grande Chaumière. Lá, estudou desenho e pintura com André Lhote. Em 1952, iniciou o curso de mosaico de ravenna na Escola de Arte Aplicada Italiana. Participou da equipe do mosaicista Lino Melano e realizou murais em edifícios franceses com base em maquetes de Fernand Léger.
De volta ao Brasil, fez pinturas murais e trabalhou com Bonadei, pintando paisagens do Litoral Norte de São Paulo. Lecionou Desenho na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), entre 1967 e 1983. Em 1979, criou o Ateliê 74, onde ensinou desenho, pintura e mosaico.
A partir de 1983, passou a dedicar-se exclusivamente à pintura.
Publicações sobre o artista
Na obra” Antonio Carelli: visualidades de um artista em constante evolução”, de João Spinelli, publicada em 2010, sua história e inúmeras obras preenchem e inundam o olhar do leitor em suas 190 páginas.
Já no livro “O artista que teimava em ser muitos”, um painel multicolorido e poético pelas mãos de Arminda Jardim e Bel Galvanese, a vida do mestre Carelli é apresentada de forma lúdica para crianças e apresenta alguns aspectos da vida do artista paulista.
Ambas as publicações podem ser adquiridas na Loja do Museu.





