O tradicional Festival da Tainha recebeu cerca de 20 mil visitantes entre os dias 9 e 12 de julho, na Praça de Eventos do Porto Novo, na região sul de Caraguatatuba. Em sua 21ª edição, o evento, que celebra a gastronomia e a cultura tradicional caiçara, é uma iniciativa do Governo Municipal e da Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba (Fundacc) em parceria com a Associação de Pescadores da Zona Sul (Assopazca), com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo.
Durante os quatro dias de programação, foram comercializadas aproximadamente 8,5 toneladas de tainha. O cardápio ofereceu opções como tainha espalmada na brasa, filé de tainha à parmegiana, moqueca de banana verde, porções e salgados, além de doces variados e produtos artesanais.
Consolidado como um dos principais eventos gastronômicos e culturais do município, a programação contou com mais de 20 shows musicais, contemplando estilos como samba, choro, reggae e sertanejo, com estandes de artesanato identitário e de economia criativa e espaço recreativo destinado às crianças.
Uma das atrações mais visitadas foi a tradicional casa caiçara com fogão à lenha, produzida especialmente para o festival. Construída com barro, bambu e pente de piaçava, a estrutura reproduziu a arquitetura típica das comunidades pesqueiras tradicionais e proporcionou aos visitantes uma imersão nos saberes, costumes e no modo de vida caiçara. No espaço, os visitantes puderam saborear café coado com garapa, chá e bolo caseiro, em uma experiência que reforçou a hospitalidade e as tradições locais.
Homenagem
A homenageada da 21ª edição do Festival da Tainha foi a caiçara Rita Andreia dos Santos, cuja trajetória representa a força, a dedicação e a continuidade da cultura tradicional de Caraguatatuba.
Nascida em 1º de junho de 1972, no Recreio Juqueriquerê, Rita é filha de José Maria dos Santos e Antônia das Dores Santos e a caçula de uma família de nove irmãos.
Criada em um ambiente marcado pelo trabalho e pelas tradições caiçaras, recebeu dos pais e dos avós – especialmente do pescador Luiz Gonzaga dos Santos, conhecido como “Jajá” – os ensinamentos sobre a importância da cultura e da dignidade conquistada através do trabalho.
Às margens do Rio Juqueriquerê, onde nasceu, cresceu e criou seus três filhos, Rita construiu sua história e mantém até hoje uma profunda ligação com o rio, fonte de sustento, lembranças e pertencimento. Há cerca de 20 anos atua na limpeza de pescado, atividade que aprendeu com o pescador Roberto Carlos de Oliveira Lima, o Titi, e que atualmente desempenha ao lado da sobrinha Oleana. Para Rita, o Rio Juqueriquerê é muito mais que um local de trabalho: é um símbolo da memória, da identidade e da permanência das tradições caiçaras.











